Já era tarde, quase noite e na rua a tímida chuva teimava em cair, preconizando a noite que se avizinhava (muita chuva, muito vento lá fora, com um chá e caminha quente para mim ^.^).
O trabalho tinha terminado e durante a caminhada até casa o frio começava a entrar no meu corpo cansado.
Meio sozinho, sem a Lua ou estrelas e apenas a chuva e o ruído dos carros como companhia, distraía-me a falar por sms com uma pequena linda miúda, que conhecera recentemente - a Lila.
Ela era interessante.... Sabia ter uma boa conversa, não era demasiado convencida e a sua ternura ao falar condizia bem com a sua beleza; o cabelo solto e comprido, os olhos claros e brilhantes e aquela voz doce e meiga. Estava frio e eu servi-me das suas palavras para me aquecer durante o caminho até casa e graças a ela o ruído dos carros era quase nulo e a chuva tinha-se transformado em algo como uma bênção, o toque das gotas na minha pele já não me traziam o frio mas sim o leve toque da alegria e do carinho, à medida que as sms daquela adorada continuavam chegando.
Descontraído e já sem vontade de chegar ao conforto do lar, porque eu agora havia encontrado algo que me aquecia mais que um bom chá e uma boa cama, tinha encontrado aquela por quem me viria a apaixonar um dia e mesmo na chuva, na rua, o meu coração dizia que se sentia bem e eu só me preocupava em prolongar aquele momento debaixo da chuva :)
No entanto, contra todas as calmas, aquela princesa decidiu vir para a chuva e disse que esperaria por mim, naquele passeio perto da nossa casa. Eu, impulsionado pelo desejo de a ver e pela preocupação da sua saúde - porque chovia - desatei a correr e por todo o meu corpo senti a energia que necessitava para chegar até ela a tempo.
.......
Já era tarde, quase noite.... e em algum sítio naquele momento uma menina bonita, querida e delicada esperava por mim.
Nunca mais me esqueço daquela chuva que não parou, mas que era leve e fina, daquela menina que esperava (por um abraço, talvez...) de um rapaz estranho que olha as árvores e as estrelas, ouve o vento e fala com a Noite. Mas nada impediu o abraço acontecer e nada impediu o meu coração ficar agradecido... e molhado :) molhado de carinho, de chuva e de muita alegria.
Foi especial e por isso não sei bem o que falar sobre isso.. Mas sempre que chover eu vou ser abraçado e sempre que acordar com a chuva lá fora, é o seu corpo que eu vejo, é o seu calor que eu sinto e é aquela voz que eu ouço, a cada gota que bate no chão. A voz leve, divertida e carregada de beijinhos, que usou como justificação por ter esperado por mim naquele passeio que "a chuva é gira, faz caracóis" :)
Eliana Ramos Gomes, adoro-te, com ou sem chuva mas com todo o coração e sentimento :)
Muito querido :)
ResponderEliminarBonito